
Após 65 dias do desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, parentes vivem a indignação e relatam a perda gradual da esperança. Sem respostas, amigos e conhecidos sentem angústia e cobram avanços nas investigações sobre o paradeiro dos familiares.
“A angústia da gente é que no início pensávamos que poderíamos encontrá-los vivos. E, agora, a gente pensa em dar um enterro digno para eles”, diz Onilda Justin, irmã de Isail.
Moradores da região e parentes da família se reuniram na segunda-feira (30) para protestar, pedindo maior agilidade nas investigações.
“A gente aguentou até agora, a gente esperou até agora. Respeitamos o tempo da polícia para averiguações das provas, para inquérito, tudo. Mas hoje são 64 dias sem respostas”, diz a amiga da família Débora Marques Gonçalves.
Suspeitos
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, que é ex-companheiro de Silvana Aguiar, é o principal suspeito do desaparecimento dela e dos pais. O homem está preso temporariamente desde 10 fevereiro.
Três pessoas ligadas ao PM também passaram à condição de suspeitos, pois estariam atrapalhando as investigações sobre o caso, segundo o delegado Anderson Spier.
“Eles já foram interrogados e pregressados, que é quando informamos das descobertas e da condição que eles passaram a ter na investigação”, explica Spier.
O PM ainda deve ser ouvido novamente nesta semana. A tendência é de que seja o último depoimento antes da conclusão do inquérito.
Conforme Spier, os seguintes fatos levaram a polícia a investigar os três:
A mulher teria apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online). Profissional da área de TI, ela é suspeita de fraude processual.
O familiar do PM teria deletado imagens de câmeras da casa onde moram familiares de Cristiano. Ele também é suspeito de fraude processual.
Um amigo de Cristiano é investigado por falso testemunho. Segundo o delegado, a pedido da esposa do PM, o homem teria mentido em circunstâncias do depoimento, para dar falsos álibis ao principal suspeito.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente. O g1 e a RBS TV entraram em contato com Suelén Lautenschleger, que representa a familiar do PM, mas não tiveram retorno até a mais recente atualização desta reportagem. As defesas dos outros dois não foram localizadas.
Motivação
O crime teria sido motivado por desavenças na criação do filho entre Silvana e o ex. A mulher procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.
“A gente tem já na investigação formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho.”
O delegado afirma que a mãe estaria planejando pedir entrar com um processo judicial contra o pai. “Existem informações que também dão conta que ela iria procurar um advogado para tratar questões atinentes à guarda e outros elementos. Então a gente acha que isso pode ter sido o fator, o gatilho, que desencadeou a ação dele.”
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar tinha muitos bens. “Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto.”
Fonte: g1





