Brasil enfrenta crise com mais de 1,6 milhão de casos de dengue em 2024

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Nesta sexta-feira (15), dados atualizados do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde revelaram que o Brasil ultrapassou a marca de 1,6 milhão de casos (prováveis e confirmados) de dengue em 2024. Com um total de 1.684.781 casos registrados nas primeiras dez semanas deste ano, o país superou a taxa total de 2023, que foi de 1.658.816 casos.

Este ano marca o segundo maior número de casos desde o início da série histórica, em 2000. O recorde anterior foi registrado em 2015, com 1.688.688 casos prováveis. Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o Brasil registrou 326.342 casos em menos de três meses, o aumento é alarmante.

Além disso, desde janeiro, foram confirmadas 513 mortes relacionadas à dengue, enquanto outras 903 seguem em investigação. Em 2023, foram registrados 202 óbitos entre as semanas 01 e 10.

Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, expressou preocupação com o impacto da dengue na saúde pública. “A dengue já é um problema de saúde pública, mas quando ocorrem epidemias como essa, sobrecarrega ainda mais o sistema de saúde”, destacou.

Kobayashi explicou que o aumento da dengue este ano está diretamente ligado às mudanças climáticas. Com estações do ano mal definidas e períodos chuvosos intercalados com altas temperaturas, as condições climáticas propiciam um ambiente favorável para a proliferação do mosquito vetor e a replicação do vírus.

Um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado no portal Scientific Reports da Nature, apontou que o aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e secas, está contribuindo para a expansão da dengue para o interior do Brasil. Isso é ainda mais evidente com a propagação da doença para regiões anteriormente menos afetadas, como as regiões Sul e Centro-Oeste.

O Ministério da Saúde alerta que cerca de 75% dos criadouros do mosquito transmissor estão nos domicílios, em recipientes como vasos de plantas, garrafas retornáveis e materiais em depósitos de construção. A eliminação desses criadouros é essencial para conter a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, e reduzir a incidência da doença.