Alta da demanda mundial e expansão das exportações sustentam os preços elevados

O tradicional churrasco e o bife do dia a dia ficaram mais caros para os gaúchos. Em 12 meses, o preço da carne bovina aumentou 34,8% no Rio Grande do Sul, de acordo com levantamento do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da UFRGS. A tendência, segundo especialistas, é de novos reajustes nos próximos meses.
O movimento é explicado pela forte procura internacional somada à redução dos rebanhos nos principais países produtores — Estados Unidos, Brasil, Austrália e Argentina. A menor oferta global impulsiona os preços, enquanto o consumo se mantém estável. Mesmo após a imposição de tarifas pelos EUA sobre a carne brasileira, a expectativa de queda interna não se confirmou, já que o Brasil rapidamente redirecionou exportações para outros mercados, como o México.
Segundo o professor Júlio Barcellos, coordenador do NESPro, a reação foi imediata:
“Havia demanda mundial suficiente, e o Brasil conseguiu realocar facilmente sua produção. O consumidor esperava redução no mercado interno, mas isso não aconteceu”, explicou.
No Rio Grande do Sul, onde a exportação de carne bovina é pequena, o impacto é sentido no campo. Produtores endividados têm vendido animais mais jovens, ampliando o envio de gado vivo ao exterior como alternativa para obter renda.
Apesar da alta no varejo, o ganho não foi repassado proporcionalmente ao produtor.
“Se os preços pagos ao pecuarista fossem transferidos ao consumidor, o quilo da carne estaria mais barato. Parte da margem ficou com frigoríficos e supermercados”, destacou Barcellos.
A elevação não é exclusiva da carne bovina. O lombo suíno registrou aumento de 34,3%, segundo o NESPro, enquanto o frango em pedaços subiu 6,45% conforme o IBGE.
Para o consumidor, a saída tem sido buscar promoções ou substituir cortes. A assistente de RH Daiane Magalhães, de 34 anos, conta que prefere comprar no Mercado Público de Porto Alegre, onde encontra preços menores do que em supermercados de Canoas, sua cidade. Já o aposentado Djalma Santos, 69, diz que só leva carne quando encontra descontos e, nesta semana, optou por mondongo no lugar dos cortes bovinos.
O NESPro projeta uma nova alta de 3% a 5% no preço da carne bovina até meados de outubro, pressionada pelo aumento do boi gordo. Mesmo assim, o consumo no Estado segue estável em 26 quilos por pessoa ao ano.
Entre os cortes, a variação foi desigual. A carne moída de segunda, muito popular, subiu 42,8% em um ano — de R$ 18 para R$ 25,70 o quilo. Já a picanha, que havia chegado a R$ 100 em março, custava R$ 87 em agosto, valor 14,5% maior do que no mesmo mês do ano passado.
Fonte: GZH










