Defesa de Heleno Aponta Distanciamento de Bolsonaro em Julgamento sobre Trama Golpista

Foto: Gustavo Moreno/STF

Em meio ao julgamento sobre a alegada trama golpista, a defesa do general Augusto Heleno apresentou uma nova estratégia. O advogado Matheus Milanez argumentou, em sustentação oral nesta quarta-feira, que Heleno se afastou de Jair Bolsonaro na segunda metade do mandato do ex-presidente. A defesa buscou comprovar essa distância como forma de atenuar o envolvimento de Heleno nos eventos investigados.

Milanez embasou sua argumentação em reportagens da imprensa que noticiavam o suposto esfriamento na relação entre Heleno e Bolsonaro. Segundo o advogado, a aproximação do ex-presidente com o Centrão teria sido o catalisador desse distanciamento. Essa estratégia visa demonstrar que Heleno perdeu influência nas decisões do governo.

“O general Heleno foi uma figura política importante… Mas este afastamento é comprovado. Este afastamento da cúpula decisória”, declarou Milanez, tentando minimizar o papel de Heleno no alegado plano golpista. Ele reconheceu que o afastamento não foi total, mas argumentou que, caso contrário, Heleno teria deixado o governo.

Heleno, que serviu como ministro-chefe do GSI durante todo o governo Bolsonaro (2019-2022), é um dos réus no núcleo central da investigação. Além dele e de Bolsonaro, a lista inclui nomes como Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto.

Os réus enfrentam acusações sérias, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. As investigações seguem com foco em apurar o grau de envolvimento de cada um dos acusados nos eventos que culminaram com os atos de 8 de janeiro.

Fonte: Folha de SP