Delegado afirma que preso ordenou homicídio na zona Sul de Porto Alegre: “assistiu ao crime por telefone na cela”

Foto: Marcel Horowitz / Especial CP

Um detento da Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa) é apontado como mandante de homicídio. O assassinato ocorreu na zona Sul da Capital, em 10 de julho, quando o preso teria acompanhado a execução por celular dentro da cela. Nesta terça-feira, ele foi um dos alvos da Operação Yellow Smile.

A vítima foi identificada como Douglas Henrique Siqueira da Silva, de 28 anos. Na data do crime, ele foi sequestrado dentro de um bar e conduzido a uma área de mata no final da rua Cangussu, no bairro Nonoai. A morte ocorreu ali, depois do homem ter sido torturado.

De acordo com informações da 6ª Delegacia de Homicídios (DHPP), a sessão de tortura seguida de morte foi transmitida via chamada de vídeo por um celular. Do outro lado da tela, um apenado da Pepoa coordenou o crime.

“Após a tortura, os envolvidos ligaram por vídeo ao detento. O preso, por sua vez, autorizou a execução do interior da cela”, disse o titular da 6ª DHPP, delegado Gabriel Borges.

Ainda segundo o delegado, o homem que morreu fazia parte da mesma facção dos outros envolvidos. Conforme apuração policial, esse grupo criminoso atua na localidade conhecida como Beco do Sorriso, também no bairro Nonoai, e teria desconfiado que a vítima repassava informações para uma quadrilha rival. A suspeita, porém, não foi comprovada.

“Nada indica que a vítima estivesse em contato com rivais. Esse homicídio foi cometido a troco de nada”, pontuou o delegado Borges.

Operação Yellow Smile

A Operação Yellow Smile somou efetivos da 6ª DHPP, Brigada Militar e Polícia Penal. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e dez ordens de busca e apreensão. Até o momento desta publicação, cinco pessoas tinham sido presas.

Segundo o delegado Gabriel Borges, a ação teve como base o protocolo das sete medidas contra homicídios. Nesta manhã, foi implementado o quinto item do tratado, que prevê operações especiais contra grupos envolvidos em mortes.

O método tem como fonte a teoria da dissuasão focada, que visa reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos. A ideia é influenciar os mandantes para que não provoquem mortes, combinando aplicação da lei e outras medidas, como a asfixia financeira de facções e a transferência de presos.

O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy, professor da Universidade de Nova York. Ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.

Fonte: CORREIO DO POVO