Eleições no Uruguai: Esquerda favorita com Yamandú Orsi à frente nas pesquisas

Neste domingo (27), o Uruguai, conhecido por sua estabilidade democrática na América Latina, irá às urnas para escolher o novo presidente, após o mandato de Luis Lacalle Pou, da centro-direita. Com a esquerda em alta, o candidato da Frente Ampla, Yamandú Orsi, desponta como favorito nas pesquisas, com uma intenção de voto entre 41% e 47%.

Orsi, professor de História e ex-aluno do icônico ex-presidente José “Pepe” Mujica, busca liderar um país de 3,4 milhões de habitantes, que se destaca por sua agricultura robusta e bons índices sociais em comparação à região. No entanto, as projeções indicam que ele não deverá alcançar os 50% necessários para vencer no primeiro turno, o que tornaria um segundo turno inevitável, marcado para 24 de novembro.

Na corrida, o candidato do Partido Nacional, Álvaro Delgado, veterinário de 55 anos e ex-secretário da Presidência, é o segundo na disputa, com apoio variando entre 20% e 25%. O advogado Andrés Ojeda, do Partido Colorado, é uma nova aposta, capturando entre 15% e 16% das intenções de voto. Sua abordagem não convencional à política, comparada à de líderes como o presidente argentino Javier Milei, tem atraído a atenção de jovens eleitores.

Mais de 2,7 milhões de uruguaios são esperados nas urnas, não apenas para a presidência, mas também para a escolha do vice-presidente e das cadeiras do Senado e da Câmara dos Deputados.

A campanha também se destaca pela crescente desinformação nas redes sociais, que ameaçam a integridade do processo eleitoral. Imagens e mensagens falsas estão circulando, visando desacreditar o sistema e instigar dúvidas sobre a lisura das eleições. Observadores acreditam que, caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta, a disputa será polarizada entre Orsi e um dos candidatos da coalizão governista.

Independentemente do resultado, mudanças significativas na política econômica não são esperadas. Todos os candidatos têm focado em acelerar o crescimento econômico, que sofreu os impactos da pandemia e de uma seca severa. O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento do PIB de 3,2% para 2024. Contudo, o déficit fiscal de 4,4% do PIB continua sendo um desafio.

As propostas para modificar o sistema de seguridade social também estão no centro do debate, especialmente entre a central sindical Pit-Cnt e a Frente Ampla. Apesar das tentativas de reforma, todos os candidatos se comprometeram a não apoiar essa emenda, que, segundo pesquisas, deve ser rejeitada.

Yamandú Orsi, Álvaro Delgado e Andrés Ojeda.