
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Sísifo, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa envolvida em crimes de agiotagem, extorsão, tortura e lavagem de dinheiro. A ação é resultado de uma investigação da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos (1ª DR/DEIC) e contou com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Penal gaúcha.
A operação é um desdobramento das investigações iniciadas após um furto qualificado ocorrido em janeiro de 2023, quando criminosos invadiram uma agência do Banco do Brasil, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, levando mais de R$ 550 mil em espécie, entre reais, dólares e euros.
A apuração revelou que parte desse dinheiro teria sido utilizado para financiar práticas de agiotagem promovidas pela quadrilha, liderada por C.S.S., de 43 anos, conhecido como “Mendigo”. O grupo aplicava juros abusivos às vítimas e, diante de atrasos ou inadimplência, utilizava métodos violentos de cobrança, incluindo espancamentos e sessões de tortura, que eram gravadas e usadas como ameaça para outros devedores.
Segundo o delegado João Paulo de Abreu, responsável pelo caso, a organização contava com pelo menos 41 integrantes, entre pessoas físicas e jurídicas, e movimentou ilegalmente mais de R$ 40 milhões nos últimos anos. Para dar aparência de legalidade ao dinheiro, o grupo utilizava contas de terceiros, comprava bens em nome de laranjas e chegou a adquirir uma empresa de eventos como fachada para lavar o capital.






Durante a operação, estão sendo cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 54 de busca e apreensão em oito cidades do Rio Grande do Sul, além de um mandado em Florianópolis (SC). Também foram autorizados 96 sequestros de veículos, uma lancha, 22 imóveis e o bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados.
A operação recebeu o nome “Sísifo” em referência ao personagem da mitologia grega condenado a empurrar eternamente uma pedra montanha acima, simbolizando o ciclo vicioso e sem fim do crime e da violência gerada pela agiotagem.
A Polícia Civil destaca que, embora a prática da usura seja muitas vezes tratada como um crime de menor gravidade, seus desdobramentos — como tortura, extorsão e lavagem de dinheiro — têm profundo impacto social e serão enfrentados com rigor.




