
Na manhã desta quinta-feira (24), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a “Operação Janus” com o objetivo de desarticular esquemas de falsa comunicação de roubo de veículos em Porto Alegre. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e outros três de busca e apreensão, nos bairros Hípica e Restinga Nova, na zona sul da Capital.


Segundo a delegada Jeiselaure de Souza, responsável pelas investigações, a operação teve início a partir de um caso registrado em fevereiro deste ano, em que um homem denunciou ter sido vítima de um assalto no bairro Serraria. De acordo com o relato, dois indivíduos armados e encapuzados teriam levado seu carro. No entanto, o que parecia um roubo comum revelou-se um esquema fraudulento cuidadosamente orquestrado.
As investigações indicaram que o crime nunca aconteceu. A suposta vítima, agora investigada, teria entregado o veículo – alugado de uma locadora – diretamente a um cúmplice, que ficou responsável por retirar o rastreador. Um terceiro envolvido, que arquitetou a fraude, coordenava a ação de dentro do sistema prisional. O grupo pretendia revender o carro por um valor muito abaixo do mercado. Os três suspeitos agora enfrentam acusações de associação criminosa, estelionato e apropriação indébita.
A “Operação Janus” integra a estratégia da Polícia Civil de atacar as fraudes que inflacionam artificialmente os números de criminalidade, contribuindo para a sensação de insegurança da população. Dados atualizados até o dia 23 de abril mostram que cerca de 12,26% dos registros de roubo de veículo em Porto Alegre, na verdade, tratam-se de falsas comunicações de crime.
Para a delegada Jeiselaure, além de distorcer os índices de segurança pública, esse tipo de fraude gera prejuízos reais à população, como o aumento no valor dos seguros e o desperdício de recursos policiais, que acabam sendo desviados de investigações de crimes efetivamente ocorridos.
A Polícia Civil reforça que seguirá intensificando a repressão qualificada a esse tipo de delito, buscando reduzir a impunidade e proteger a credibilidade dos dados de segurança pública.








