
Com o Rio Grande do Sul prestes a completar dois anos da enchente de maio de 2024, o governador Eduardo Leite afirmou que o Estado está “muito melhor preparado para enfrentar os eventos climáticos”. “Ainda que não seja possível a gente ter clareza absoluta do que venha a ocorrer, em qual gravidade esses eventos possam acontecer, o que eu posso garantir a todos vocês é que o estado está trabalhando forte na preparação, considerando todos os cenários que a ciência nos permite prever”, declarou.
Com a presença de secretários e outras autoridades, Leite explanou em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira, no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), os avanços em obras de reconstrução e de projetos de proteção das cidades, conjunto de medidas que compõem o Plano Rio Grande, detalhando as demais frentes que ainda faltam ser concluídas. O Estado garantiu R$ 14 bilhões para as ações e, no total, contabiliza 227 projetos e ações de reconstrução em 95 municípios que registraram situação de calamidade, além de 300 em situação de emergência à época. Foram repassados, até o momento, R$ 500 milhões para obras de recuperação e modernização de estruturas de proteção, sendo somente R$ 400 milhões para Porto Alegre e Canoas.
O anúncio mais recente foi relacionado à cooperação com a prefeitura de Porto Alegre, com o apoio total de R$ 30 milhões para a proteção da região do Aeroporto Salgado Filho. A obra considerada emergencial será executada pela prefeitura e antecipa o projeto maior e definitivo para a região, envolvendo a Bacia do Rio Gravataí, que levará mais tempo. Enquanto nesta quinta-feira o prefeito Sebastião Melo havia afirmado, em coletiva de imprensa, que o custeamento seria dividido entre o Município e o Estado, Leite garantiu que poderá ser repassado integralmente pelo Estado.
O governador lembrou que, em comparação com desastres que ocorreram em outros estados, o que atingiu o Rio Grande do Sul teve sua complexidade por envolver mais territórios, inclusive a Capital e a região Metropolitana. “É especialmente complexo para nós, em relação a esses outros, essa extensão muito mais complexa, inclusive com a Capital e a região Metropolitana, com um número de pessoas que foram impactadas e obras muito mais complexas que precisam ser feitas. Temos que atuar sobre todas essas frentes em todo esse território, ao mesmo tempo, nesse período, o que guarda uma especial complexidade”.
Prognósticos para o El Niño
A meteorologista Cátia Valente, da Climatempo, empresa que presta serviços para a Defesa Civil do RS, explicou que a probabilidade da formação do fenômeno El Niño no Estado, com a condição do aquecimento do Pacífico Equatorial, deve ter sua atuação a partir do segundo semestre, mas que, até o momento, não é possível confirmar a sua intensidade. A especialista também lembrou que, nos últimos 30 anos, o Estado registrou sete ocorrências do fenômeno, diferentes entre si.
“A probabilidade é justamente essa: chuvas intensas, alagamentos, enxurradas, tempestades. Isso é comum no estado no segundo semestre com essa condição de um El Niño já atuando, fica um pouco mais evidente. Mas em nenhum momento nós estamos prevendo que eventos como o de 2024 vão ocorrer em 2026 por causa do El Niño”, afirma.
Recuperação dos sistemas de proteção contra cheias
Entre as principais intervenções relacionadas à recuperação dos sistemas de proteção contra cheias, estão sendo feitas melhorias nas estações de bombeamento (com R$ 232 milhões de investimento), comportas (R$ 9,4 milhões), diques (R$ 166,2 milhões), hidrojateamento (R$ 40,2 milhões) e redes de drenagem (R$ 27,7 milhões). Os repasses, via Fundo a Fundo Reconstrução, envolvem além de Canoas e Porto Alegre, municípios como Alvorada, Eldorado do Sul, Esteio, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande, São Leopoldo, São Lourenço do Sul, São Sebastião do Caí e Sapucaia do Sul.
Em relação às novas obras, em locais que não possuíam o sistema robusto, estão sendo investidos por meio do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), fundo constituído com recursos do governo federal, construções de diques e estações de bombeamento, com investimento total de R$ 6,5 bilhões.
Estão em andamento, também, a complementação e atualização dos anteprojetos e estudos ambientais para as bacias do Rio Gravataí, do Rio dos Sinos, do Rio Caí, do Arroio Feijó e do Taquari-Antas, cada uma com a sua particularidade. Em relação ao da bacia Taquari-Antas, por exemplo, há alternativas à realocação da população atingida, com intervenções estruturais e não estruturais para a redução dos impactos da cheia.
Fonte: CORREIO DO POVO





