Sidônio proíbe ministros de desfilar em carro alegórico de Janja

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O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, orientou integrantes do primeiro escalão do governo federal a não desfilarem na Marquês de Sapucaí durante o Carnaval do Rio de Janeiro. A avaliação no Palácio do Planalto é que a exposição de ministros em carros alegóricos ou alas poderia gerar desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em um ano de eleições. A recomendação, para aqueles que decidirem comparecer, é que permaneçam em camarotes, evitando participação direta na avenida.

A primeira-dama Janja Lula da Silva está confirmada como destaque no último carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, que levará para a Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente. O carro tem como tema “amigos de Lula”. Inicialmente, sete ministros foram convidados a integrar a mesma ala, mas recuaram após a orientação do ministro da Comunicação. A única exceção, até o momento, é a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que mantém a previsão de desfilar. Carioca e próxima de Janja, ela participa da homenagem desde os ensaios preparatórios.

Também estão previstos no carro alegórico o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a neta do presidente, Bia Lula, além da cantora e compositora Tereza Cristina e da atriz Juliana Baroni. Outros convidados devem integrar a alegoria, parte deles desfilando fora do carro principal.

Outro fator que pesou na decisão do governo foi o risco de questionamentos na Justiça Eleitoral. O Partido Novo protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando Lula, o PT e a escola de samba de promover propaganda eleitoral antecipada por meio do samba-enredo. A legenda pede aplicação de multa equivalente ao custo estimado do desfile, calculado em R$ 9,65 milhões. A ministra do TSE Estela Aranha foi sorteada relatora da ação.

Paralelamente, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil enviaram orientação formal aos ministros para que não participem do desfile. Há ainda preocupação com o fato de o cerimonial da primeira-dama ter feito convites a empresários, banqueiros, políticos e artistas, inclusive solicitando medidas para a confecção de fantasias. Parte dos convidados optou por acompanhar a apresentação apenas dos camarotes.

No Planalto, também se avalia o risco de desgaste político caso a Acadêmicos de Niterói seja rebaixada. A escola estreia neste ano no Grupo Especial do Carnaval carioca, e a possibilidade de queda já no primeiro desfile é considerada comum. Eventual resultado negativo poderia ser explorado pela oposição.

Setores do governo admitem, reservadamente, que a homenagem pode ter sido aceita sem a devida avaliação do impacto político. Lula autorizou o enredo no ano passado. Assessores temem que as imagens do desfile tenham repercussão imprevisível ao longo da campanha.

Há ainda preocupação com segmentos do eleitorado mais conservador, como parte do público evangélico, que costuma criticar o Carnaval. O presidente vem tentando ampliar diálogo com esse grupo, especialmente nas periferias urbanas.

Lula é o primeiro presidente em exercício a ser homenageado por uma escola de samba no Grupo Especial do Rio. Ele já foi citado em desfiles anteriores, como em 2003, quando a Beija-Flor abordou o combate à fome, e em 2012, quando foi tema da Gaviões da Fiel, em São Paulo. Na ocasião, não compareceu por estar em tratamento de saúde.

Nos bastidores, outro episódio trouxe desconforto: o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado de cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro após questionamentos sobre sua atuação. Dados públicos indicam que sua remuneração como assessor teve aumento significativo nos últimos meses.

Fonte: O SUL